Contexto A tensão Como funcionou Resultados Aprendizados

Mini case · Design com IA · 2026

Usei IA para construir um produto digital do zero. O que aprendi sobre o meu próprio processo foi mais valioso do que o resultado.

Não é um case sobre ferramenta. É sobre o que fica visível quando você precisa explicar cada decisão em voz alta, antes de qualquer tela.

Ferramentas

Claude + VS Code

Escopo

Narrativa, estrutura, visual

Duração

Dias, não semanas

Entregável

soualinerezende.com.br

// construindo o case do app BTG
 
Aline escreve a abertura da seção de resultados
Claude gerando...
 
"Quatro anos de trabalho convergem
 em dois números..."
 
Aline não. começa pelo problema, não pelo número.
Aline número é consequência

Para dirigir bem, você precisa saber o que quer

Cada instrução revelou uma lacuna no meu próprio raciocínio. A IA executava. Eu precisava pensar primeiro.

Claude Code · VS Code

Contexto & desafio

Quatro anos de trabalho relevante. Zero tempo para documentar.

Depois de quase cinco anos no BTG Pactual, precisava de um portfólio que fizesse uma coisa específica: convencer quem entende de processo que o meu é o que difere sênior de pleno. Não queria portfólio bonito. Queria portfólio honesto, com raciocínio explícito em cada decisão.

O problema real: o trabalho existia, os aprendizados existiam, mas documentar tudo isso com a qualidade que eu exigia levaria meses. A IA não foi atalho para qualidade: foi o que tornou possível fazer os dois ao mesmo tempo.

🎯

O que eu precisava provar

Que cada decisão tem raciocínio. Que os conflitos são expostos, não escondidos. Que os dados têm contexto. Que a voz é minha, não de template de portfólio.

O que a IA podia fazer por mim

Propor estruturas, escrever rascunhos, construir o visual. Com velocidade que eu nunca alcançaria sozinha. Sem o custo emocional de "jogar fora e começar de novo".

A tensão central

IA produz com velocidade. Mas velocidade não tem critério.

O conflito que nenhum artigo sobre "IA no design" menciona: a ferramenta é excelente em gerar. Ela não sabe o que é digno de existir.

"Cada vez que eu descartava algo que a IA gerava, eu precisava saber explicar por quê. Isso virou um espelho do meu próprio processo."

Aline Rezende · durante o projeto
IA

Produtora sem fadiga

Gera opções, propõe estruturas, escreve variações. Sem ego sobre o que é descartado. Sem custo emocional de tentar de novo. Disponível a qualquer hora.

Eu

Curadora com critério

Decido o que fica. O que soa autêntico. Onde o texto é genérico demais. Qual conflito do case importa contar. O que um designer sênior nunca publicaria.

A descoberta incômoda: nas primeiras sessões, eu descartava coisas por instinto mas não conseguia explicar o motivo. Ter que articular para a IA por que algo não funcionava me forçou a formalizar convicções que eu sempre tive, mas nunca havia colocado em palavras.

Como funcionou

Não foi "peça e publique". Foi um processo de direção contínua.

A diferença entre usar IA como atalho e usá-la como ferramenta de raciocínio está no que você faz com a primeira resposta. Quase nada foi para o ar sem edição.

01

Definir quem leria e o que precisaria sentir

Antes de qualquer rascunho, eu descrevi para a IA quem era o leitor ideal do portfólio: um designer líder em fintech, que já viu portfólio bonito demais e quer saber se a pessoa pensa. Com esse contexto claro, as propostas da IA passaram a fazer sentido. Sem ele, tudo saía genérico.

02

Estrutura narrativa primeiro, visual depois

Cada case começou como uma conversa: eu contava o que aconteceu, a IA propunha como organizar. Testamos ordens diferentes de seção. Descobri que mostrar os resultados antes do conflito mata o interesse, porque tira o suspense. A estrutura final de todos os cases veio dessas tentativas.

03

Curadoria radical em cada rascunho

A regra que eu aplicava: se o texto poderia estar no portfólio de qualquer outro designer, era descartado. A especificidade foi aumentando a cada rodada. A IA aprendia com as correções e as próximas propostas chegavam mais próximas do que eu queria, mas nunca perfeitas. A edição final era sempre minha.

04

Visual construído como sistema, não como página

Tudo aconteceu direto no VS Code, com o Claude integrado ao editor. O projeto foi construído com um padrão visual consistente: quando uma decisão de cor ou tipografia era aprovada, ela se repetia em todas as páginas sem eu precisar copiar manualmente. A IA manteve essa consistência entre arquivos, algo que eu faria à mão e provavelmente erraria por cansaço.

Resultados

Produto no ar. Processo documentado. Voz preservada.

O resultado mais relevante não é o artefato: é o que ficou claro sobre como eu trabalho.

4

Cases completos publicados

Cada um com narrativa de processo, tensão explícita, decisões registradas e dados com contexto.

soualinerezende.com.br

dias

De ideia a produto no ar

Não semanas. A velocidade não abriu mão de qualidade: abriu espaço para mais iterações no mesmo tempo.

Do primeiro rascunho ao deploy

100%

Da voz é minha

Nenhum texto foi ao ar sem leitura crítica. A IA propõe dentro dos parâmetros que eu defini. Curadoria não foi delegada.

Revisão editorial · todas as seções

O que isso sinaliza para times que me contratariam: sei trabalhar com IA sem abrir mão de critério. Sei quando aceitar, quando reformular e quando descartar. Sei escrever instruções que produzem resultado dentro de um padrão de qualidade. Isso é habilidade de produto, não de ferramenta.

Aprendizados

O que esse processo revelou que anos de prática não revelaram.

Trabalhar com IA nesse nível de proximidade força um tipo de clareza sobre processo que a rotina de trabalho raramente provoca.

1

Você não sabe o que pensa até ter que explicar

IA não interpreta nuance. "Fica melhor assim" não é instrução. Quando sou forçada a explicar em termos concretos o que quero, descubro o que de fato penso. Esse exercício é desconfortável, e é exatamente o que separa convicção de intuição.

2

A ferramenta revela onde seu raciocínio ainda tem lacunas

Houve momentos em que descartei várias propostas seguidas sem conseguir articular o motivo. Isso me mostrou que eu tinha critérios implícitos que nunca havia documentado. Construir esse projeto foi também o processo de tornar meu próprio raciocínio de design mais explícito.

3

Velocidade muda o quanto você está disposta a tentar

Quando testar uma estrutura diferente custa minutos em vez de horas, você testa mais. Cheguei a experimentar quatro abordagens para o mesmo trecho antes de decidir. Sem IA, teria escolhido a segunda opção e publicado. A velocidade não é atalho: é condição para resultado melhor.

4

O risco não é a IA errar. É ela acertar de forma genérica.

Texto plausível que não é autêntico é mais perigoso que texto ruim, porque passa despercebido. A IA escreve bem. Por isso, a curadoria precisa ser mais rigorosa, não menos. A pergunta que eu fazia para cada parágrafo: isso soa como eu, ou soa como qualquer um?

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